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sábado, 1 de julho de 2017

Heráldica italiana: uma guerra entre dois chefes

Por Sua Alteza Sereníssima 
o Príncipe Andre III Prinz von Trivulzio-Galli
14º Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Rmano-Germânico.

Nenhum povo viveu a Guerra e a Heráldica com mais intensidade que o povo da Península Itálica, região onde as fortunas das grandes Famílias da Nobreza estavam transversalmente ligadas às venturas que os Condottieres Militares pudessem trazer às suas famílias. 

A maior e mais dura guerra europeia foi, sem dúvidas, a travada entre Guelfos e Guibelinos, luta fratricida que durou entre os século XII ao XIV, e que dividiu a Península Itálica entre ambos os partidos.

Stemma Angiò (Brasão de Anjou)
símbolo heráldico adotado pelos Guelfos


Em termos gerais os Guelfos eram aqueles que apoiavam a supremacia Papal na Itália, de modo que as cidades formassem Comunes (município), governadas por pequenos "senados cumunais". Já os Guibelinos eram os que apoiavam a supremacia Imperial na Itália e que as cidades formassem Senhorios, governadas por famílias principescas, como pequenas Monarquias.

A razão que fazia a Igreja apoiar que as cidades formassem Comunes era que dessa forma, seriam governadas por uma liga de cidadãos, que respeitariam um estatuto prévio, muito semelhante ao que ocorria nos Conventos Católicos. Já o Império, ao defender que as cidades formassem Senhorios, estavam garantido ao Sacro Imperador Romano-Germânico a obediência e a vassalagem desses mesmos Senhores. 

Stemma dell'Impero (Brasão Imperial)
símbolo heráldico que representava os Guibelinos


Como para os povos italianos, tudo poderia ser representado pela heráldica, ambos os lados combatentes adotaram como emblemas heráldicos os brasões utilizados na Batalha de Benevento, travada em 1266, em que Carlo I d'Anjou (d'Angiò) liderou as tropas Guelfas na luta contra as tropas Guibelinas, lideradas por Manfredo de Hohenstaufen, então Rei da Sicília e Príncipe da Suábia. 

 
            Brasão de Carlo I d'Anjou      Brasão de Manfredo de Hohenstaufen

Na luta não estava apenas em jogo a divisão entre a supremacia Papal ou a supremacia Imperial, mas também se lutou pela Coroa da Sicília, que era até então propriedade da Casa de Hohenstaufen, também chamada de Casa da Suábia, de onde provinha o Sacro Imperador Romano-Germânico Frederico Barbarossa. A Batalha de Benevento teve por vencedor Carlos d'Anjou, que tornou-se assim Rei da Sicília.

Os Guelfos, para comemorar a vitória de seu líder sobre o líder dos Guibelinos, passaram a adotar um chefe heráldico chamado de "Capo d'Angiò" (Chefe de Anjou), de blau, um lambel de goles de quatro pedentes, acompanhado de três flores-de-lis de ouro. Tal chefe nada mais era do que a parte superior do próprio brasão de Carlo d'Angiò. 

Brasão da Família Alioti, com o Capo d'Angiò

Família Ardinghi (da Toscana)

Família Baldinucci (de Prato)



Os Guibelinos, como não poderia ser diferente, em contra-partida adotaram como Chefe Heráldico o chamado "Capo dell'Impero", que era composto por um campo de ouro (ou raramente, de prata), carregado d'uma águia estendida de sable (preto). De início a águia apresentava uma só cabeça, mas a partir do século XVI passou a ser também representada por duas cabeças, com ou sem coroa, sendo ela do campo ou de sable.

Família Galli (de Como), Duques de Alvito, com o Capo dell'Impero em seu brasão.

Família Appiani (de Turim) Condes de Pino

Família Annoni (de Milão) Condes de Gussola


Dizia-se que a Guerra entre Guelfos e Guibelinos era uma guerra que dividia as próprias famílias, já que, não era raro que primos, ou mesmo irmãos, colocassem-se em lados opostos na luta. Isso, é claro, tinha de ser registrado na Heráldica:

Família Accarisi, com o brasão representando seus familiares Guibelinos

Família Accarisi, com seu brasão representando seus familiares Guelfos


Após o fim da Dinastia da Suábia, a chefia do Partido Guibelino recaiu sobre os Visconti, Duques de Milão, que expulsaram os Della Torre, comprometidos com o partido Guelfa e tomaram assim o controle de Milão e de todo o Norte da Itália, espalhando os ideais Guibelinos.

Brasão dos Visconti, Duques de Milão, e depois dos Visconti-Sforza, Duques de Milão (com o Capo dell'Impero).

Brasão dos Della Torre, antigos Senhores de Milão (com o Capo d'Angiò).


Era comum que uma família Guibelina, apenas fizesse casamentos com outras famílias Guibelinas, política esta também seguida pelo lado Guelfo. Desta forma, surgiram brasões bastante carregados, mas sempre com os mesmos Chefes: 

Brasão pintado por Marco Foppoli, onde pode-se ver quatro versões do Capo dell'Impero.

Ao final da luta entre Guelfos e Guibelinos não se pode precisar um lado definitivamente vencedor, pois, se os Guelfos venceram mais batalhas, foram os Guibelinos que conseguiram vencer no campo da política, influenciando no fim dos sistema comunal das Cidades e no domínio das Senhorias. Todavia os Guelfos conseguiram afastar o domínio dos Sacro Imperadores da Itália, todavia, os Guibelinos impediram que os Papas firmassem seu domínio na política peninsular... Desta forma, é pois impossível afirmar que lado mais ganhou, ou que lado mais perdeu... 

sábado, 10 de junho de 2017

Mestre: deus, anjo ou demônio?



Como muitos (se não todos) os Fieis Leitores do Blog de Cavalaria sabem, me chamo Andre Prinz von Trivulzio-Galli, sendo que sou o atual Príncipe Titular de Mesolcina (um antigo Principado do Sacro Império Romano-Germânico, localizado na Suíça, e criado em 1622 pelo Imperador Fernando II de Habsburgo, em aumento do Condado criado em 1413 pelo Imperador Sigismundo de Luxemburgo, e que passou à minha Família em 1480 com o Imperador Frederico III de Habsburgo). Por conta disso foi decidido que eu deveria receber uma educação com fortes cores voltadas para a história e demais matérias humanísticas. Desde muito cedo tive grande interesse pela heráldica (desenhei meu primeiro brasão perfeito aos 9 anos), e tive instrução na matéria com dois grandes heraldistas (minha saudação aos Mestres Silveira e Baroni). 

Todavia quando passei a ter perguntas que nem meus antigos Mestres conseguiam ter respostas, percebi que era hora de passar a estudar sozinho, pois, se queres ser um bom discípulo, procure um grande Mestre, mas se queres ser um grande Mestre, estude só. Meus antigos professores eram ambos especialistas em heráldica portuguesa, matéria que me passaram com perfeição, porém eu queria ser também um especialista nos demais campos da heráldica: queria ser tão bom na heráldica portuguesa quanto na espanhola, na inglesa, na francesa, na italiana ou na alemã, enfim, em um tempo em que heraldistas entendiam apenas de uma escola heráldica, eu pretendia saber de todas.



Minhas aspirações, porém, não diminuíram em nada minha admiração por aqueles grandes heraldistas que me ensinaram a base da heráldica, ao contrário, para não contrariá-los em nada, busquei outro veículo de difusão, já que eles haviam sido autores de livros, com razoável sucesso até, eu busquei a Internet que nascia, um meio de explanar minhas ideias. 

Foi de fato pela Internet que fiz meu nome como heraldista conhecido e autor respeitado, principalmente nos "anos de ouro" dos Blog's, isso é, entre 2011 a 2013 que blog's como esse, ou o Blog de Heráldica, ou tantos outros, tiveram seu apogeu. Nesse período a heráldica entrou na Rede Mundial de Computadores e o fez de uma forma respeitável, sempre com embasamento técnico e com respeito às antigas Regras. Foi nesse período que criei termos antes faltosos no idioma de Camões quando se referia a determinadas áreas da Heráldica, como por exemplo o termo Escola Heráldica que se refere à tradição heráldica de determinada país, região, povo ou cultura, atualmente tão utilizado, foi criado por mim em um texto de 2011, e rapidamente adotado por amigos autores na Espanha, França e Portugal... De fato a Internet trouxe essa expectativa "mágica" de aproximar pessoas com interesses em comum, mas que viviam em diversas partes do mundo, algo impensável antes.



 Também foi graças à Internet que ocorreu uma aproximação até então impensável, barreiras sociais foram sendo rompidas, diferenças intelectuais foram sendo reduzidas, e dessa forma vieram meus primeiros alunos, que queriam em mim um Mestre que os ensinasse a Heráldica, Genealogia, História e as Matérias da Cavalaria, assunto que era sempre citado. Meu primeiro discípulo foi um rapaz francês, que queria muito aprender heráldica... sabia desenhar um pouco, mas era plenamente ignorante quando às aplicações, ou mesmo em assuntos ligados à Cavalaria, onde empregam-se hoje a maior parte dos heraldistas. De fato o ajudei, e ao longo de dois anos o ensinei as técnicas da Ciência Heroica, e logo o apresentei a muitos amigos europeus, membros de diversas Ordens de Cavalaria, ou mesmo com influência em Casas Reais. Em um período em que surgiam os primeiros vetores, ele foi um verdadeiro sucesso e logo passou a desenhar para várias Ordens e Casas Reais.

Foi nesse período que percebi que surgia uma verdadeira relação religiosa e quase mitológica entre o Mestre Heraldistas e o discípulo, pois, como nunca cobrei para ensinar ou para dar cursos (sempre preferi sem um "filósofo" a ser um "sofista") meus alunos me viam como um verdadeiro deus (sim, deus com minúscula, pois nenhum humano pode ser Deus, já que Este é Uno e Trino, não é algo para nós), e diziam "Don Andre é um verdadeiro deus para mim, me ensinou tudo o que sei... a ele devo tudo...", porém, conforme o tempo passava e as matérias que ia ensinando lhes gabaritava, o pouco sucesso que iam atingindo já era suficiente para mudar essa relação mitológica Mestre/aluno, e, com o afã de tentar superar o mestre, porém da forma errada, o modo como passava-se a dirigir a mim era outro, e diziam "Don Andre é um anjo, viu o talento que eu tinha e deu-me uma oportunidade...", porém a vontade de se sobrepor ao mestre era tamanha que vinha a ideia de que "uma luz para se tornar mais forte, deve ofuscar as demais", e dessa forma, buscando se tornar um heraldista mais conhecido do que eu mesmo, meu discípulo passou a tentar dizer coisas menos agradáveis a meus respeito, nos grupos onde eu mesmo o havia inserido.

Quando porém o chamei para conversar, e lhe lembrei de tudo o que havia feito por ele, e que um verdadeiro Cavalheiro sabe sempre ser grato e reconhecer o que havia recebido de seu Mestre, pude perceber que a relação mitológica se mantinha, porém, eu que inicialmente era visto como um deus, e passei depois a ser tido como um anjo, era visto agora como um demônio, que precisava ser combatido e desmerecido, como a única forma de ser superado no campo do conhecimento...



 Com o tempo vieram outros alunos, e muitos outros, na verdade... Ensinei a heráldica para portugueses, brasileiros e argentinos... ensinei as matérias para vários padres e muitos tantos leigos, uns ainda menos preparados que os outros (tanto entre padres como entre leigos), e pude perceber um sinistro padrão que vinha sempre na relação mitológica entre o Mestre e o aluno, inicialmente era visto como um deus, e passava depois a ser tido como um anjo, e no final era visto como um demônio, e essa cadência seguia sempre o mesmo passo que o aluno avançava no aprendizado da heráldica. 

Porém mesmo assim ensinei muita gente, a cada aluno que aceitava preteria pelo menos 15 ou 20 (e Deus sabe que meu critério de escolha nem sempre era o mais talentoso, então se estiveres lendo esse meu texto, e tenhas sido um daqueles alunos que eu não ensinei, saibas que não o fiz por maldade, ou por qualquer questão pessoal, mas sim por falta de tempo mesmo), porém com o tempo aprendi a não esperar muita coisa de bom em retorno , pois foram raros os casos em que tive gratidão como pagamento por meu trabalho. Não estou aqui também dizendo que todos os meus alunos viraram-me às costas, claro que não... mantenho ainda uma relação muitíssimo boa com vários deles...



Este texto porém é uma "carta aberta" que escrevo (na primeira pessoa do singular, coisa raríssima de fazer) a todos os meus alunos, e ex-alunos... Saibam o que esperar da heráldica em suas vidas, pois tudo o que fazemos é por amor à Heráldica, porém não é uma matéria onde a gratidão encontra berços profundos, pois, em um mundo onde a vaidade impera, a gratidão morre cedo.

(imagens do corpo do texto, do grande Mestre Hugo Gerard Ströhl, que nem chegue a conhecer (já que morreu em 1919), porém ao qual, mesmo assim, conservo toda a gratidão, por elevar a Heráldica ao nível de arte.) 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Novo Site na Rede!



Fieis Leitores do Blog de Cavalaria, todos sabem como é importante um site bem feito, com bom conteúdo, sempre atualizado, e com um designer agradável, para que uma Instituição possa passar sua mensagem.

Por esse motivo, a Sereníssima Casa Principesca de Trivulzio-Galli della Mesolcina, por meio de Seu Conselho Privado, lançou hoje um novo Site, que promete reunir em um mesmo espaço virtual todas as atividades públicas da Casa Principesca. 

Nesse novo Site estão as informações das Ordens de Cavalaria da Casa Principesca, bem como, das atividades da Casa Principesca e do Conselho Privado de Sua Alteza o Príncipe.

A Seção Mesolcina News funcionará como um jornal online que conterá tanto matérias sobre o antigo Principado e ainda sobre os demais antigos Feudos da Casa Principesca, bem como, notícias atualizadas das atividades da Casa de Mesolcina. 

O endereço é o mais simples possível, pois pode ser acessado em: mesolcina.com ou clicando-se na imagem abaixo:



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ordens de Cavalaria Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar



Estimados e fieis Leitores do Blog de Cavalaria, hoje escreveremos acerca de um importantíssimo grupo de Ordens de Cavalaria, grupo este que foi de grande importância para a sociedade pós-Medieval, principalmente entre o século XVI ao século XVIII: as Ordens de Cavalaria Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar. Recomendamos que este texto seja lido após o Nosso anterior texto, que tratou acerca das Ordens de Cavalaria Religiosas-Militares, e do texto sobre as Ordens Dinásticas

As Ordens de Cavalaria Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar, também chamadas de Ordens Militares quase Religiosas, foram Ordens de Cavalaria criadas na esteira das anteriores Ordens Religiosas-Militares, e, de fato, muitos autores chegaram a confundir umas com as outras. É importante fazermos um paralelo entre ambos os grupos, para que, possa-se assim haver melhor compreensão de suas similitudes, mas principalmente, de suas dissemelhanças. 


Quanto ao período de criação e objetivos:

Ordens Religiosas-Militares foram todas criadas por Bulas Papais em um período histórico específico, geralmente caracterizado entre o século XI ao século XV, tendo sido criadas tais Ordens em um período em que as Santas Cruzadas e a Defesa da Fé Católica, frente aos infiéis, era o grande pano-de-fundo da política europeia. O objetivo central era além da proteção da Europa, a tomada de Terra Santa das mãos sarracenas. 

Da mesma forma as Ordens Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar foram criadas por Bulas Papais, todavia, em um período posterior ao das Ordens Religiosas-Militares, tendo sido criadas entre o século XV e o século XVIII. Houve então um período (entre o século XV e o século XVI) em que não haviam sido diferidas as Ordens de ambos os grupos, de modo que, para saber se uma Ordem era Religiosa-Militar, ou apenas de inspiração Religiosa-Militar o observador deveria avaliar quais as práticas e vivências de cada uma das Ordens. Da mesma forma que as Ordens Militares-Religiosas, as Ordens Militares quase Religiosas tinham em seu Estatuto a obrigação da defesa da Fé Católica, todavia, essa defesa geralmente se daria em solo Europeu, já no contexto da luta contra os turcos pela defesa de Europa. 



Quanto ao Governo:

Aqui reside uma das principais diferenças entre os grupos uma vez que as Ordens Militares Religiosas surgiram como verdadeiras comunidades de Cavaleiros, governados por um Grão-Mestre que era Eleito pelo Capítulo-Geral da Ordem. Várias Ordens Religiosas-Militares, como a Ordem Militar de São Bento de Avis, a Ordem Militar de Alcântara, a Ordem Militar de Calatrava, a Ordem Militar de Santiago, a Sacra e Militar Ordem Costantiniana de São Jorge, a Sacra Ordem da Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria, a Ordem Militar de Montesa, a Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, tornaram-se depois Ordens Dinásticas, em que seu Governo tornou-se Hereditário em uma família principesca, todavia isso não apaga o fato de que foram criadas como Ordens Capitulares, em que o Governa cabia a um Grão-Mestre Eleito pelo Capítulo-Geral.

Bem diferente disso ocorreu com as Ordens Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar, uma vez que tais Ordens foram sempre criadas pelo interesse de algum Príncipe, e dessa forma, desde o momento de sua criação, estavam abaixo da tutela hereditária de alguma família principesca. 



Quanto a Religiosidade: 

A Religiosidade foi sempre um dos pontos principais da vida das Ordens de Cavalaria Religiosas-Militares, de modo que, até hoje, as Ordens desse grupo são conhecidas por suas práticas religiosas, bem como pelo fato do Clero ter um papel preponderante na vida de tais Ordens. De fato, tais Ordens foram constituídas por grupos de Cavaleiros, a princípio Leigos, mas que, partindo para as Cruzadas, adotavam uma forma de vida Monástica, e proferiam os Três Votos de Pobreza, Castidade e Obediência. 

Para as Ordens Militares-Religiosas, a Religiosidade era a base da vida em comunidade, de modo que dela dependiam as atividades Militares, que eram tidas e vividas como uma verdadeira Vocação a ser realizada por toda a vida.

Diferente disso, as Ordens Dinásticas de inspiração Religiosa-Militar foram criadas no âmbito das Cortes Principescas, principalmente as Italianas, em que havia um grande apego pela forma de vida primitiva dos antigos Cavaleiros das Ordens Militares-Religiosas, todavia essa seguia uma visão romântica da antiga Cavalaria. O Clero tinha um papel muito pequeno na vida dessas Ordens, sendo considerado como parte do grupo serventuário da Ordem.  

Na maior parte dessas Ordens, as obrigações religiosas não superavam a de determinadas orações diárias a serem feitas pelo Cavaleiro, ou ainda, de determinadas práticas de misericórdia a ser desenvolvida. 

O Grão-Mestre da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo, com seu Hábito Magistral


Quanto às vestes

As vestes são um ponto em comum entre ambos os grupos, e vale-se lembrar que, formalmente falando, as Ordens Militares-Religiosas e as Ordens Dinásticas de inspiração Religiosas-Militares compõe um único grupo de Ordens criadas abaixo da Proteção dos Papas e do Direito Canônico. Assim, todos os privilégios de vestes cabíveis às Ordens Militares-Religiosas são também compartilhados com as Ordens Dinásticas de inspiração Religiosas-Militares. 

São assim as Ordens Militares-Religiosas e as Ordens Dinásticas de inspiração Religiosas-Militares as únicas que podem portar vestes Cerimoniais próprias, e tais vestes podem ser utilizadas em qualquer Igreja Católica no mundo, sem a interposição de quem quer que seja. 

Quanto ao modelo das vestes, esse variou muito, dependendo do espaço geográfico da constituição de cada uma das Ordens. As Ordens espanholas, por exemplo, sempre deram preferência a Mantos Capitulares muito grandes, que em uma visão geral, lembram as casulas góticas maiores, utilizadas por Sacerdotes após o Concílio Vaticano II. 

Cavaleiro da Ordem Dinástica de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, vestindo sua Cocolla. Tal Ordem foi criada pelo Príncipe Ferdinando Gonzaga, VI Duque de Mantova, em 1619, e passou em 1708 a Casa Principesca de Trivulzio-Galli.

Já as Ordens italianas preferem um tipo de Hábito de inspiração monástica, chamado de Cocolla, e que lembra as hábitos da Ordem Beneditina, com mangas lonjas e um grande volume.

Todavia, as Ordens alemães, francesas ou portuguesas, preferiram geralmente Mantos Capitulares aberto no peito, verdadeiras "capas" largas, e que permitem ser vista a roupa que o Cavaleiro deve por baixo do Manto. 



Quanto às Cerimônias

Este é outro ponto semelhante entre ambos os grupos de Ordens, porém, enquanto a Investidura em uma Ordem Religiosa-Militar era imprescindível pelo seu caráter sagrado e religioso, as Investiduras nas Ordens Dinásticas de inspiração Religiosas-Militares, apesar de muitas vezes realizadas durante a Santa Missa, eram mais valorizadas do ponto de vista social do que religioso, propriamente dito.  



Como visto acima, características exteriores, como vestes e cerimônias foram comuns em ambos os grupos de Ordens de Cavalaria, tanto Religiosas-Militares como Ordens Dinásticas de inspiração Religiosas-Militares, sendo que, as diferenças maiores podem ser percebidas quanto ao período de criação de cada Ordem, bem como do Governo que cada Ordem teve, ou ainda, do ponto de vista religioso e dos objetivos. 

Não devemos esquecer, porém, que essas diferenciações entre Ordens Religiosas-Militares e Ordens Dinásticas de inspiração Religiosas-Militares dá-se apenas do ponto de vista acadêmico, uma vez que do ponto de vista Canônico são todas partes de um mesmo grupo, que era aquele das Ordens criadas por Bulas Papais. 

Listaremos agora, algumas das principais Ordens Dinásticas de inspiração Religiosas-Militares, seu ano de criação, bem como o Papa que a criou e a que Casa Principesca estavam ligadas:

Ordem Dinástica e Militar de São Maurício, criada em 1434 por Amadeo VIII di Savoia, Reconhecida pelo Papa Gregório XIII em 1571. Como depois foi reunida, em 1572 com a Ordem Militar de São Lázaro de Jerusalém, é hoje listada como Ordem Religiosa-Militar.

Insigne Sacra Militar Ordem de Santo Estefano Papa e Mártir, criada pelo papa Pio IV em 1º de fevereiro de 1562 com a Bula "His quae", como Ordem Dinástica da Casa Grão-Ducal da Toscana. Como depois foi reunida com a Ordem Militar de São Tiago d'Altopascio,  é hoje listada como Ordem Religiosa-Militar.

Ordem Dinástica e Militar da Milícia Cristã de Nossa Senhora da Imaculada Conceição abaixo da Proteção de São Miguel Arcanjo e São Basílio e sob a Regra de São Francisco, criada pelo Príncipe Ferdinando Gonzaga, VI Duque de Mantova e Duque de Monferrato, sendo Confirmada pelos Papas Gregório XV, em 1623, e Urbano VIII, em 1625.

Ordem Real de Nossa Senhora do Monte Carmelo, criada pelo Rei Henry IV da França em 1608, e no mesmo ano Confirmada pelo Papa Paulo V. Houve uma tentativa, por parte do Rei Luís XIV, em 1668, de unificá-la a Ordem Militar de São Lázaro de Jerusalém, já unificada a Ordem de São Maurício em 1572; tal iniciativa, porém, foi rechaçada pela Santa Sé. 

Real e Distinta Ordem Espanhola de Carlos III, criada pelo Rei Carlos III da Espanha em 19 de setembro de 1771, e depois Reconhecida por Bula Papal de Clemente XIV, em 21 de fevereiro de 1772.  


Rei Fernando VII da Espanha, com o Manto da Real e Distinta Ordem Espanhola de Carlos III

quarta-feira, 8 de março de 2017

As Ordens de Cavalaria Dinásticas: O que são?



Estimados Leitores do Blog de Cavalaria, nesta primeira postagem do ano de MMXVII daremos continuidade à série sobre as Ordens de Cavalaria, falando do principal e mais numeroso tipo dessas Ordens: às Ordens Dinásticas.

Mas, afinal de contas, o que são Ordens de Cavalaria Dinásticas? Ordens de Cavalaria Dinásticas são todas as Ordens mantidas por Dinastias Principescas, que já gozaram de algum tipo de soberania, ou plena, ou parcial, como é o caso das Casas Principescas e Condais do Sacro Império Romano-Germânico. 

Uma Ordem Dinástica é mantida então pelo Fons Honorum* de determinada Casa Principesca, Ducal, Grão-Ducal, Real ou Imperial; e é concedida aos apoiantes do Chefe dessa Casa, como Pretendente Dinástico** a determinado Principado***. Desta forma, uma Ordem Dinástica apenas encontra valor simbólico e social entre os próprios apoiadores de determinado Príncipe.

Ordem de São Filipe e do Leão de Limburgo, Ordem Dinástica dos Condes de Limburg-Stirum

Quando da Criação das Ordens Dinásticas: Durante à Monarquia, ou após o fim dela.

As Ordens Dinásticas podem terem sido criadas durante à vigência da Monarquia em determinado Principado, ou mesmo após o fim desta, uma vez que, para os Monarquistas, apoiadores de determinado Pretendente, este Pretendente tem tanto direito de criar Ordens e títulos, como os tinham os seus antepassados que tenham realmente reinado.


Comendador da Ordem Dinástica ao Mérito de Savoia, instituída após o fim da Monarquia, pelo Pretendente ao Trono da Sardenha e da Itália, o Príncipe Vittorio Emmanuele di Savoia

São exemplos de Ordens Dinásticas, criadas após o fim da Monarquia, Ordens como: A Ordem da Legitimidade Proscrita, criada pelo Príncipe Jaime de Bourbon, Duque de Anjou e Pretendente Legitimista ao Trono da França; Ordem, esta que atualmente é uma Ordem Dinástica da Casa Ducal de Bourbon-Parma. A Ordem da Casa Real Portuguesa, criada pelo Príncipe Dom Duarte Pio, Duque de Bragança e Pretendente ao Trono de Portugal. A Ordem de São Jorge, criada pelo Arquiduque Carlos Chefe da Casa Imperial de Habsburgo. A Ordem das Damas Nobres de Maria Elisa, criada pelo Príncipe Alessandro I Gonzaga, Príncipe de Castiglione. A Ordem ao Mérito de Savoia, criada em 1988 pelo Príncipe Vittorio Emmanuele IV, Duque de Savoia, e Pretendente ao Trono da Sardenha e da Itália. Sendo apenas alguns exemplos, entre outras tantas.

Todavia, a grande maioria das Ordens Dinásticas de Cavalaria foram criadas durante a vigência da Monarquia. Seria impossível citarmos todas, pois são numerosas as Casas Principescas, Ducais, Grão-Ducais, Reais e Imperiais existentes, e como cada uma delas possui geralmente uma ou várias Ordens Dinásticas, um "catálogo" única jamais citaria todas com a devida certeza de há todas ter citado.

Procissão dos Cavaleiros das Ordens Dinásticas-Religiosas da Casa Real da Espanha


ORDENS DINÁSTICAS-RELIGIOSAS E ORDENS DINÁSTICAS-HONORÁRIAS

Quanto à origem das Ordens Dinásticas, esta pode ser de duas "fontes", ou serão Religiosa-Pontifícia, ou serão de criação Honorífica. 

Às Ordens Dinásticas Religiosas são aquelas que foram criadas por Bula Papal, e que, desde o início de suas atividades foram Ordens Dinásticas, como por exemplo a Ordem Militar e Dinástica de Santo Stefano Papa e Mártir, criada pelo papa Pio IV em 1º de fevereiro de 1562 com a Bula "His quae", como Ordem Dinástica da Casa Grão-Ducal da Toscana. Ou então podem ter sido Ordens Religiosas-Militares, que outrora funcionaram como autênticas Ordens Monásticas, e depois, por vontade Papal, tornaram-se Dinásticas, como por exemplo a Gloriosa, Antiga, Insigne e Real Ordem Dinástica, Cavalheiresca, Cruzada, Religiosa, Hospitalar e Militar dos Santos Maurício e Lázaro, criada como Ordem Religiosa Militar e Hospitalar com o nome de Ordem de São Lázaro, e que depois tornou-se uma Ordem Dinástica da Casa Real de Savoia. 

De fato as Ordens Dinásticas-Religiosas são raras, e essas sim podem ser numeradas, pois, pelo seu pequeno número, podem ser divididas em quatro grupos: às Ordens Italianas (pertencentes à Dinastias Italianas); às Ordens Portuguesas (pertencentes à Casa Real de Portugal); às Ordens Espanholas (pertencentes à Casa Real da Espanha) e às Ordens Brasileiras (pertencentes à Casa Imperial do Brasil).

São elas:

Grão-Colar da Sacra Ordem da Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria Gloriosa 


Quanto às Ordens Italianas:

- Sacra e Militar Ordem Costantiniana de São Jorge, provavelmente Fundada em 1190, depois Ordem Dinástica da Casa Real de Bourbon-Duas Sicílias.

- Sacra Ordem Dinástica, Equestre, Militar e Hospitalar da Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria, dita Sacra Ordem da Milícia (S.O.M.) ou dos Cavaleiros da Mãe de Deus. Ordem criada em 1209 pelo Conde Simon IV de Montfort, com o nome de MILÍCIA DE JESUS CRISTO. Reconhecida por Bula Papal em 1233. Tornada Dinástica da Casa Principesca de Trivulzio-Galli della Mesolcina em 1565.

- Ordem dos Santos Maurício e Lázaro, criada inicialmente como Ordem de São Maurício, criada pelo Duque Amadeo VIII de Savoia como Ordem Dinástica da Casa de Savoia. É unida, em 1573 com a Ordem de São Lázaro, para formar a Ordem Dinástica dos Santos Maurício e Lázaro, Ordem Dinástica da Casa Real de Savoia.

- Insigne Sacra Militar Ordem de Santo Stefano Papa e Mártir, Criada pelo papa Pio IV em 1º de fevereiro de 1562 com a Bula "His quae", como Ordem Dinástica da Casa Grão-Ducal da Toscana.

- Angelica e Imperial Ordem Militar Costantiniana de São Jorge, recriada em 26 de fevereiro de 1816 pela Arquiduquesa Maria Luísa de Habsburgo, como Duquesa de Parma. depois Ordem Dinástica da Casa Ducal de Bourbon-Parma.



Quanto às Ordens Espanholas:

- Ordem Militar de Alcântara, fundada em 1156 no Reino de Leão. Tornada Ordem Dinástica da Casa Real Espanhola em 1522.

- Ordem Militar de Calatrava, fundada em 1158 no Reino de Castela. Tornada Ordem Dinástica da Casa Real Espanhola em 1482.

- Ordem Militar de Sant'Iago, fundada em 1170. Tornada Ordem Dinástica da Casa Real Espanhola em 1482.

- Ordem Militar de Montesa. Ordem Fundada em 1312, tornada Dinástica da Casa Real Espanhola em 1587.


Quanto às Ordens Portuguesas:

- Real Ordem Militar de São Bento de Avis, Fundada em Portugal em 1147, e tornada como Ordem Dinástica da Casa Real Portuguesa em 1555.

- Real Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fundada em Portugal em 14 de março de 1319 pela bula pontifícia "Ad ea ex-quibus" do Papa João XXII, que, deste modo, atendia aos pedidos do rei Dom Dinis. Recebeu o nome de Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo e foi herdeira das propriedades e privilégios da Ordem do Templo.

- Real Ordem de Sant' Iago da Espada, sendo, em princípio, a mesma Ordem espanhola, mais tarde "nacionalizada" portuguesa, e tornada Dinástica da Casa Real de Portugal em 1551. 




Quanto às Ordens Brasileiras:

- Imperial Ordem Militar de São Bento de Avis, Fundada em Portugal em 1147, e tornada como Ordem Dinástica da Casa Real Portuguesa em 1555, e "nacionalizada" brasileira pela Bula Papal Praeclara Portugalliae et Algarbinorumque Regum, do Papa Leão XII, em 30 de maio de 1827. 

- Imperial Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fundada em Portugal em 14 de março de 1319 pela bula pontifícia "Ad ea ex-quibus" do Papa João XXII, que, deste modo, atendia aos pedidos do rei Dom Dinis. Recebeu o nome de Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo e foi herdeira das propriedades e privilégios da Ordem do Templo. "Nacionalizada" brasileira pela Bula Papal Praeclara Portugalliae et Algarbinorumque Regum, do Papa Leão XII, em 30 de maio de 1827. 

- Imperial Ordem de Sant' Iago da Espada, sendo, em princípio, a mesma Ordem espanhola, mais tarde "nacionalizada" portuguesa, e tornada Dinástica da Casa Real de Portugal em 1551. "Nacionalizada" brasileira pela Bula Papal Praeclara Portugalliae et Algarbinorumque Regum, do Papa Leão XII, em 30 de maio de 1827.


Placa e pendente da Banda das Três Ordens (de Portugal e do Brasil), onde estão as Cruzes das Ordens de Cristo, Avis e Sant'Iago da Espada.

Possível mudança de Natureza: de Dinásticas-Religiosas para Dinásticas-Honoríficas:

Até mesmo Ordens Dinásticas Religiosas podem ter sua natureza alterada para formarem Ordens Honoríficas, como é o caso da Real Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Real Ordem Militar de São Bento de Avis e da Real Ordem de Sant' Iago da Espada, ambas Ordens Dinásticas Portuguesas, de criação Pontifícia, e que, por decisão da Rainha Dona Maria II de Portugal, passaram, em 1834 a serem apenas Honoríficas.

Neste caso percebe-se que a vontade Dinástica sobrepõe-se a vontade Pontifícia, uma vez que a Rainha de Portugal não necessitou de qualquer permissão da Santa Sé para eliminar o caráter Religioso de tais Ordens, bastou unicamente que assim desejasse, e assim foi feito.


Ordem de Carlos III da Espanha. Exemplo de Ordem Dinástica-Estatal, que possuía em sua fundação características Religiosas, porém, que sempre foi independente da Santa Sé.


Já as demais Ordens Dinásticas, que incluem todas as outras, que não listadas acima, são tidas como "de criação civil", sendo criadas apenas pelo Monarca (ou Chefe da Dinastia, como visto acima), sem qualquer necessidade de aprovação da Santa Sé.

Porém, em ambos os casos, tanto às Ordens Dinásticas-Religiosas, como as Ordens Dinásticas Honoríficas, tem um funcionamento muito semelhante. As poucas diferenças que há entre elas são justamente alguns costumes religiosos que são mantidos pelas Ordens Dinásticas-Religiosas, tais como: Missas de Investidura, determinadas orações cotidianas, realizadas por seus Cavaleiros e Damas, e o costume de nelas apenas poderem ser Investidos Católicos Romanos. 

Todavia, além dessas diferenças acima listadas, na questão administrativa, nada difere entre as Ordens Dinásticas que tiveram Fundação Pontifícia, das que não tiveram. Em ambos os casos a Santa Sé já não possui qualquer ingerência sobre elas, uma vez que, desde que se tornaram Dinásticas, tais Ordens devem obediência apenas ao Chefe da Dinastia que as mantém. 

As Ordens Dinásticas que não tiveram Fundação Pontifícia, podem, geralmente, serem concedidas tanto a Católicos, como não Católicos, e até mesmo, a não Cristãos. Temos o exemplo da Real Ordem de Francisco I, Ordem Dinástica da Casa Real das Duas Sicílias, e que é utilizada pelo Duque de Castro, Chefe da dita Casa Real, como um meio de condecorar não-Católicos, e que por questões religiosas, não poderiam ser admitidos na Ordem Constantiniana de São Jorge, de Fundação Pontifícia. Também esse é o caso da Ordem da Rosa de Mesolcina, para a Ciência, Mérito Cultura e Arte, ou da Ordem Militar e Dinástica de São Teodoro Mártir, ambas Ordens Dinásticas da Casa Principesca de Val Mesolcina, e que são utilizadas para condecorar pessoas que por motivos Religiosos, não poderiam entrar na Sacra Milícia de Jesus Cristo e de Santa Maria, por ser essa Ordem de Fundação Pontifícia, e portanto, apenas aberta a Católicos.



Características das Ordens Dinásticas

- São tidas como "atemporais": Uma das características principais das Ordens Dinásticas está a de que, embora, determinada Ordem não seja concedida com certa regularidade, ou mesmo, que deixe de ser concedida por gerações, a mesma não irá se extinguir, e isso ocorre pois as Ordens Dinásticas dependem exclusivamente das Dinastias que as mantém, e dessa forma, mesmo que passem-se anos sem que hajam novam concessões, isso não acarretará no fim da Ordem, uma vez que, a mesma pode vir a ser concedida, pelo Chefe da Dinastia, a qualquer tempo. Dessa forma, apesar da Imperial Ordem de Cristo, não ser mais concedida publicamente desde o fim da Monarquia no Brasil, ela não está extinta, e pode voltar a ser concedida a qualquer tempo, pelo Chefe da Casa Imperial do Brasil.

- São "independentes": Uma Ordem de Cavalaria Dinástica, seja ela Religiosa ou não, é apenas dependente do seu Grão-Mestre, enquanto Chefe da Dinastia que a mantém. É impossível a Santa Sé, ou qualquer outro Estado ou autoridade civil ou religiosa terem ingerência sobre uma Ordem Dinástica, uma vez que a mesma apenas obedece os preceitos Dinásticos, e não qualquer legislação Canônica ou Estatal. Assim, o Rei da Espanha, pode administrar as suas três Ordens Dinásticas-Religiosas, absolutamente independente da vontade da Santa Sé, que as criou, mas não possuem sobre elas qualquer ingerência, justamente por serem Ordens Dinásticas.

- São "políticas": Ordens de Cavalaria são políticas em sua essência, pois sua existência é vinculada a uma realidade Dinástica, que por si só traz as reclamações de determinada Família em relação a um Trono. Sendo assim, uma Ordem Dinástica não faz sentido para quem não apoia às pretensões da Dinastia Mantenedora.

Ordem de Alberto, O Urso, Ordem Dinástica da Casa Ducal de Anhalt



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NOTAS:
* Termo latino que designa "Fonte de Honras"
** Designa-se por "Pretendente" ao Chefe de uma Dinastia ex-Reinante que, em qualidade de Chefe de sua Casa, mantenha Pretensões Dinásticas há, em caso da restauração da Monarquia, ser tido como o Chefe de Estado da mesma. 
*** Aqui compreendido o termo "Principado" como qualquer estado onde exerça-se, ou tenha exercido, a Monarquia, tal qual compreendido por Machiavel em "O Príncipe", então, para este texto, o termo Principado serve para qualquer Estado Monárquico, seja ele um Condado Soberano, ou Principado, um Ducado, um Grão-Ducado, um Reino ou um Império.