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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A multiplicação dos "príncipes"

Um evento que vem se tornando muito frequente nos últimos anos, é a multiplicação de supostos "príncipes", que vem se tornando algo endêmico pelo "mundo virtual".

A ocorrência de falsos "nobres" sempre se revelou até comum em muitos países da Europa, sendo que a literatura clássica sempre abordou o tema com a irrelevância necessária. Exemplos disso temos nos clássicos "O Gato de Botas", que dizia servir ao falso "marquês de Carabás", ou o mais danoso "conde de Monte Cristo", um falso nobre, que usava a influência de seus suposto título para se vingar de seus antigos opositores, levando-os à morte ou à falência. 



No Brasil porém ocorre um outro fenômeno, digno de sérios estudos antropológicos: não o surgimento de apenas falsos "nobres", mas sim de falsos "príncipes", com supostas dignidades de "fons honorum" e "ius magestatis", sempre reconhecidos por algum "Tribunal de Justiça Arbitral" de algum lugarejo esquecido no mapa. 

Este fenômeno é sem dúvida muito interessante, vez que, estes supostos "príncipes", tem capacidade de criarem novos "nobres", cujos títulos são outorgados em cerimônias tétricas, quase sempre realizadas em saguões de Câmaras de Vereadores de cidades do interior, em "Centros Culturais" ou mesmo em sedes de igrejas neopentecostais, ou mais recentemente, em salas da própria OAB! 


Tais supostos "príncipes" não estão satisfeitos apenas em sustentar seus títulos fraudulentos, eles se "auto reconhecem", de modo a criarem uma verdadeira teia de supostos "príncipes", sempre a criarem novos "nobres", que, quase sempre são provenientes das cidades interioranas dos estados de São Paulo ou do Rio de Janeiro.

O mais curioso destes tais "príncipes", é que nenhum de seus antepassados que, por via de regra, também deveriam ser príncipes, tenham sido investidos nas Ordens de Cavalaria mais tradicionais da Realeza, como a Ordem do Tosão de Ouro, ou mesmo a Ordem Real de São Miguel da França.

Príncipe Antônio VII Trivulzio-Galli, autêntico Príncipe Soberano de Mesolcina e do Sacrossanto Império, Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro. Pintura de 1760.

Onde estavam os antepassados de tais "príncipes", já que não estão listados no famoso "Les Souverains du Monde", edição tradicionalíssima, mais bem conceituada do que o próprio Almanach de Gotha, e que, desde o início do século XVIII serve para rastrear as linhagens das Casas Reais de todo o mundo? Convido a todos a lerem o partir da página 202 do referido Les Souverains du Monde, onde poderão bem ver a genealogia completa dos Trivulzio-Galli.

Com certeza o fato mais curioso desta questão é que as famílias da realeza sempre tem parentesco entre si, como no caso da minha família, cujos ancestrais estão na Árvore Genealógica dos Príncipes de Mônaco, ou de tantos outros Monarcas ainda Reinantes da Europa, porém, qual o motivo de tais "linhagens principescas" não serem contadas entre nenhuma das Casas Reais atuais?

Kastoria, Grécia, "reino" de um suposto "príncipe" brasileiro.

A resposta dada por tais supostos "príncipes", é que estes descendem de linhagens "imemoriais", cujos "reinos" eram parte do antigo Império Mesopotâmico, ou coisa parecida. Um destes "príncipes", se dizia "soberano" de Castória, uma cidadela grega da região da Macedônia Ocidental, que nunca nem ao menos teve uma Família Real própria!  E mesmo que Castória ou Kastoria, tenha tido uma Família Real independente, em alguma parte de sua história, hoje, o fons honorum de tal lugar pertenceria somente a Sua Majestade o Rei Constantino II da Grécia, já que, a Monarquia Grega teve o caráter de absorver por completo o Ius Magestatis de toda a Grécia, diferente do que ocorreu na Alemanha e Itália, onde a Monarquia unificadora não rompeu os direitos das demais Casas Reais que tenham reinado sob o seus territórios.   

CONTINUA...

Um comentário:

  1. Eu sou Juiz Arbitral, integro a Abrame, todas essas decisões Arbitrais equivocadas, podem ser revertidas.

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