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sábado, 7 de julho de 2012

A Real Militar e Hospitalar Ordem de São Lázaro de Jerusalém e de N. S. do Monte Carmelo, parte 1


Brasão da Real Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém e de Nossa Senhora do Monte Carmelo, gentileza de Mathieu Chaine

PARTE 1

A Ordem de São Lázaro possui mais de mil e quinhentos anos de história. Nascida no Hospital de São Lázaro em Jerusalém, no ano de 370, quando foi fundada por São Basílio, passou por diversas fases ao longo de sua trajetória.

Já foi Irmandade Hospitalar entre os ano de 370 a 1099; passando então a ser uma Ordem de Cavalaria Hospitalar, papel que desempenhou até 1250, quando passou a ser primordialmente Militar.

Mas com certeza, o período de maior desenvolvimento para suas atividades fora após as doações dos Reis da França, principalmente a doação do Baronato de Boigny pelo Rei Luís VII, O Piedoso.


Cruz da Real Militar e Hospitalar Ordem de São Lázaro de Jerusalém e de
N. S. do Monte Carmelo
A Real proteção oferecida pelo Rei Henrique IV foi a salvadora da Ordem de São Lázaro. Tal proteção, concedida em 1604, tornou-se completa a partir de 1607, quando o Rei Henrique IV criou a Real Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo, e a Reuniu a Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém, criando a partir deste momento a Real Militar e Hospitalar Ordem de São Lázaro de Jerusalém e de Nossa Senhora do Monte Carmelo (ou de Nossa Senhora do Carmo).

A Real Ordem de Monte Carmelo foi criada a partir do ideal do Grão Mestre Armand de Chastes (1593-1603), que esperava que a Ordem de São Lázaro voltasse a ter o mesmo brilho que havia possuído em outras eras. Seu Coadjutor era o jovem Marquês Philibert de Nerestang, que compartilhava com suas ideias.

Nesta época a Ordem de São Lázaro estava Reunida por Bula Papal à Soberana Ordem Militar e Hopitalar de São João de Jerusalém, Rodes e de Malta. Após a morte do Grão Mestre Armand de Chastes, que era também Cavaleiro da Soberana Ordem de Malta, o Capítulo Geral da Ordem Elegeu como 34 Grão Mestre Carlos I, por ser este também Cavaleiro Maltês. Porém Carlos I não compartilhava das ideias do anterior Grão Mestre, nem de seu Coadjutor. Ao contrário, defendia que a Ordem de São Lázaro deveria ser dissolvida, e seus bens entregues à Ordem de Malta.


Trono do Príncipe e Grão Mestre de São Lázaro de Jerusalém e de
N. S. do Monte Carmelo.

Para impedir tais planos, o Marquês de Nerestang, lembrando-se se seus Votos como Cavaleiro de São Lázaro, deveria defender a continuidade da Ordem, e solicitou a Rei Henrique IV da França, que se realizasse novo Capítulo Geral junto ao Castelo de Boigny, com a finalidade de nova Eleição ao posto de Grão Mestre da Ordem. Ao saber disso, Carlos I renunciou a seu reinado, e o Marquês de Nerestang pode finalmente ser Eleito como Príncipe e Grão Mestre da Ordem de São Lázaro com o nome de Philibert I.

Philiber solicita ao Rei Henrique IV que restitua à Ordem seus antigos direitos, e que a separe em definitivo da Ordem de Malta. O Rei Cristinaníssimo atende ao pedido do Grão Mestre, e em 1607 cria a Real Ordem de Nossa Senhora do Carmo, ou do Monte Carmelo, e a Reúne a Ordem de São Lázaro. O Rei ainda obtém uma Bula do Papa Paulo V, que autorizava ao Rei da França nomear os futuros Grão Mestres da Ordem, além de conceder numerosos privilégios pontifícios aos Cavaleiros.


Padre Capelão da Ordem (Século XVIII)

Tais privilégios Papais constituíam em poderem os Cavaleiros se casarem, e após serem viúvos, poderiam casar novamente, sem necessidade de permissão pontifícia; poderiam os Cavaleiros receber pensões da Coroa e todo tipo de benefício, fosse o Cavaleiro casado ou frei, receberia uma pensão de 500 ducados de ouro, sendo que o Grão Mestre receberia 1500. Os Cavaleiros foram obrigados a manter o voto de obediência e de castidade conjugal (somente poderiam manter relações com legítima esposa).

Uma outra Bula Papal de 1608, obrigou aos Cavaleiros que fizessem a Profissão de Fé antes de receberem o Hábito da Ordem, e que no dia em que fossem Investidos, deveriam Confessar-se e Comungar. Deveriam os Cavaleiros da Ordem de São Lázaro e de Nossa Senhora do Monte Carmelo usarem um hábito uma cruz cor de castanha (amaranto) e no meio dela uma imagem da Virgem Maria. Deveriam também pegar em armas para defender a Santa Igreja Católica, sendo para isso requisitados pela Santa Sé ou pelo Rei. Os Cavaleiros deveriam ainda rezar todos os dias o Ofício de Nossa Senhora, ou o Ofício da Coroa. Deveriam ir à Missa em todos os Domingos e dias de Festa, absterem-se de Carne todas as sextas-feiras, além de confessarem-se e comungarem no dia da festa de Nossa Senhora do Carmo (19 de julho).


Juiz de Armas da Ordem (Arauto) com o uniforme do século XVIII


Continua nas demais postagens da série "NOS TEMPOS DO MONTE CARMELO". 

2 comentários:

  1. Boa noite caro Conde André Galli,Diante do exposto por Vossa Exª,podemos considerar o Marquês de Nerestang,por seu ato, como um dos Cavaleiros mais importantes da história de nossa querida ordem,demonstração de lealdade para com seus votos, e sua Ordem maior do que esta para um cavaleiro não existe!é exemplo a ser seguido!

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  2. Com certeza Tenente Dário. O Marquês de Nerestang foi de fundamental importância para a continuação de nossa Ordem até nossos dias. Tanto isto é verdade, que Neretang consegui que seu filho, e seus dois netos lhe seguissem como Grão Mestres de nossa Ordem, tamanha a sua importância e contribuição ao Lazarismo

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